Descrição
Sobre o livro
Abriu meu peito”, livro de estreia de Ana Julieta, nasce do luto e o ultrapassa. A antropóloga Simone Silva, que assina a apresentação, aponta o núcleo mais luminoso e mais duro da obra: “A mãe lentamente, a cada verso, ressignifica a noção de partida, daquela insuportável imagem de quem vai embora para aquela que tudo é. A filha dá à luz, assim, a um corpo gradativamente ocupado pela ousadia do SER negro que a mãe cultivou em vida.”
Nesse movimento, Ana escreve não apenas sobre o luto, mas sobre o surgimento de um corpo que retorna às raízes, um corpo que encontra na ancestralidade o seu norte.
Simone também destaca um dos pontos mais contundentes do livro: a crítica à medicina que, mesmo tecnológica, “não consegue honrar a máxima previsibilidade da vida”, convertendo corpos — sobretudo corpos negros, especialmente os de mulheres negras, em doença.
É nesse embate entre amor, perda e resistência que “Abriu meu peito” encontra sua força: um livro que revela como o adoecimento é normalizado — e como a poesia pode devolver humanidade ao que foi fragmentado.
Sobre a autora
Ana Julieta é antropóloga de formação. Desde 1997, de diferentes formas e em distintos espaços, atua em prol da equidade de gênero e raça. Ingressou no serviço público federal em 2001, como integrante da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Atualmente, desenvolve tese doutoral sobre a ação pública do Estado brasileiro no enfrentamento da pobreza endêmica e das desigualdades estruturais, com foco nas trabalhadoras domésticas remuneradas. O mundo das artes chegou à sua vida intermediado e inspirado por sua mãe, Jovina Teodoro. Publica agora seu primeiro opúsculo de poesia.









